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Entre rios e raízes: exposição celebra o cotidiano invisível do Amapá

Entre rios e raízes: exposição celebra o cotidiano invisível do Amapá

Existe uma beleza que não aparece nos roteiros turísticos nem nos noticiários nacionais. Ela está no gesto do trabalhador que amarra sua canoa ao entardecer, na textura da terra molhada às margens do Amazonas, na luz que atravessa a floresta e pousa sobre rostos que carregam histórias inteiras. É essa beleza discreta, muitas vezes invisibilizada, que o fotógrafo amapaense Floriano Lima decidiu colocar em evidência na exposição Minha Aldeia.

Com 27 fotografias reunidas em uma única mostra, Lima constrói um retrato afetivo e político do Amapá contemporâneo. As imagens passeiam por paisagens, por cenas urbanas e pelo trabalho cotidiano às margens do Rio Amazonas, compondo um mosaico que recusa a ideia de que o Norte brasileiro é apenas cenário — e afirma que é, antes de tudo, sujeito. A exposição estará aberta ao público entre 27 de agosto e 20 de setembro na unidade Centro do Sesc, em Macapá.

O título da mostra não é casual. Chamar de aldeia o espaço vivido é um ato de reconhecimento: é dizer que pertencimento não precisa de grandiosidade para ter valor. Em um país que historicamente voltou as câmeras para o Sudeste como espelho de si mesmo, fotografar o cotidiano amapaense com cuidado e intenção é um gesto de resistência cultural. Lima não documenta a pobreza nem a exuberância folclórica — ele registra a vida como ela é: complexa, digna e cheia de textura.

Para o portal Diversidade, iniciativas como essa são fundamentais. Ampliar o repertório visual de quem somos como povo passa, necessariamente, por incluir as periferias geográficas e simbólicas do país. O Amapá, fronteira com a Guiana Francesa e guardião de uma das maiores biodiversidades do planeta, merece ser visto com os olhos de quem o habita — não apenas com os de quem o sobrevoa. Minha Aldeia oferece exatamente essa perspectiva: íntima, honesta e enraizada.

A exposição é gratuita e aberta a todos os públicos. Mais do que uma visita cultural, é uma oportunidade de reconhecer que o Brasil é plural em imagens, em ritmos e em modos de existir — e que essa pluralidade, quando finalmente enquadrada, tem muito a nos ensinar sobre nós mesmos.

Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
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