Em uma live transmitida na última segunda-feira (13), o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) fez uma declaração que mistura aposta eleitoral com simbolismo político: caso conquiste a Presidência da República nas eleições de outubro, será Jair Bolsonaro quem lhe colocará a faixa presidencial na cerimônia de posse, marcada para janeiro de 2027. A afirmação, carregada de valor emocional para a base bolsonarista, também levanta questões jurídicas relevantes.
Isso porque o ex-presidente não é um cidadão em plena liberdade. Jair Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar após condenação pelo Supremo Tribunal Federal. A hipótese de participar de um ato oficial da magnitude de uma posse presidencial depende, portanto, de autorização judicial — algo que está longe de ser trivial dado o contexto legal em que ele se encontra.
A fala de Flávio serve a um duplo propósito estratégico. Primeiro, reforça o vínculo simbólico com o pai, mantendo viva a chama do bolsonarismo em um cenário em que Jair segue inelegível. Segundo, projeta uma imagem de continuidade — como se uma eventual vitória do filho fosse, na prática, uma reabilitação política do ex-presidente. É uma mensagem direcionada ao núcleo duro do eleitorado de direita, que ainda vê em Jair a principal referência.
A candidatura de Flávio ao Planalto, ainda em estágio de pré-campanha, enfrenta um cenário competitivo acirrado. O campo da direita e da centro-direita não é monolítico, e a simples herança do sobrenome não garante transferência automática de votos. A declaração de domingo, no entanto, deixa claro que a família Bolsonaro aposta na emoção e na lealdade como combustível eleitoral — uma estratégia que já funcionou antes e que os pré-candidatos de outros campos monitoram de perto.
O que está em jogo vai além do simbolismo da faixa. A cena descrita por Flávio — o pai condenado entregando o poder ao filho eleito — seria um dos momentos mais inéditos e controversos da história republicana brasileira. Se a estratégia é audaciosa, o caminho até ela ainda é longo e incerto.