O confronto entre França e Espanha vai muito além das quatro linhas. Antes mesmo que a bola role na semifinal tão aguardada pelos amantes do futebol, as duas nações já travam um duelo secular à mesa — e é justamente nesse campo que viajantes e gourmets encontram o roteiro mais delicioso possível para explorar ambos os países.
A França chegou até aqui com a solidez que também caracteriza sua cozinha: técnica apurada, tradição inabalável e uma confiança que beira a altivez. É o país do coq au vin, do confit de canard e das brasseries parisienses que funcionam como templos laicos da boa alimentação. Mas, como todo bom chef sabe, confiança demais pode ser o começo da queda — e os franceses parecem conscientes disso, pregando cautela antes do grande jogo.
Do outro lado, a Espanha vem apresentando uma defesa quase impenetrável — apenas um gol sofrido até aqui —, e sua gastronomia segue a mesma lógica de eficiência e criatividade. O país que exportou a revolução da cozinha molecular pelo El Bulli de Ferran Adrià, e que hoje deslumbra o mundo com os pintxos do País Basco e o arroz a banda valenciano, sabe muito bem como surpreender sem abrir mão da essência.
Para quem planeja viajar inspirado por esse confronto, a sugestão é clara: não escolha entre os dois. Comece por San Sebastián, uma das cidades com maior concentração de estrelas Michelin por metro quadrado no planeta, e siga até Lyon, capital gastronômica da França, onde bistrôs centenários servem quenelles e gratins que reconciliam qualquer torcedor com o mundo. A rivalidade esportiva se dissolve rapidamente quando uma boa garrafa de Rioja acompanha um plateau de fromages.
No fim, seja qual for o placar no apito final, quem realmente ganha é o viajante curioso que usa o futebol como desculpa para mergulhar nas culturas que alimentam — literalmente — dois dos destinos gastronômicos mais ricos da Europa. À mesa, não há semifinal: França e Espanha são campeãs há séculos.