Chegar ao pódio das vendas de elétricos no Brasil em menos de um ano de mercado é uma façanha que poucos modelos conseguem. O Geely EX2 fez exatamente isso, conquistando consumidores que buscavam uma alternativa acessível à mobilidade elétrica sem abrir mão de conectividade e design moderno. Mas o entusiasmo da lua de mel começa a dar lugar a uma avaliação mais crítica — e são justamente os proprietários satisfeitos que mais têm a dizer sobre o que pode (e deve) evoluir.
O primeiro ponto que aparece com frequência nas comunidades de donos é a velocidade de recarga em corrente alternada. O EX2 aceita até 6,6 kW em CA, o que, na prática, significa noites inteiras conectado para recuperar a bateria de 37,9 kWh. Para quem não tem acesso a um carregador rápido DC próximo de casa, a espera pode ser um incômodo real no cotidiano. Uma atualização de hardware ou ao menos uma versão futura com maior capacidade de CA seria bem-vinda.
A autonomia homologada pelo Inmetro gira em torno de 350 km no ciclo brasileiro, mas proprietários relatam que, no mundo real — especialmente com ar-condicionado ligado em clima tropical —, os números caem para perto de 260 km. Não é um problema exclusivo do EX2, mas num país de dimensões continentais e com infraestrutura de recarga ainda em expansão, cada quilômetro a mais na bateria conta muito. O ajuste fino do gerenciamento térmico da bateria é um caminho apontado pelos usuários mais técnicos.
No quesito software, o sistema de infoentretenimento recebe elogios pela tela generosa, mas críticas pelo desempenho. Travamentos ocasionais, demora para reconectar o Apple CarPlay e atualizações OTA ainda pouco frequentes são queixas recorrentes nos fóruns. A Geely tem expertise para entregar atualizações remotas — faz isso com desenvoltura na China —, e os donos brasileiros cobram o mesmo tratamento. Além disso, a assistência técnica da rede de concessionárias, ainda em fase de expansão no território nacional, aparece como um gargalo para quem mora fora dos grandes centros.
Por fim, os acabamentos internos e a calibração da direção elétrica entram na lista de refinamentos desejados. O EX2 entrega muito pelo preço que cobra, mas pequenos detalhes — como o peso artificial da coluna de direção em manobras e alguns plásticos que poderiam ter acabamento mais premium — são percebidos por quem convive com o carro todos os dias. São ajustes que não comprometem a experiência geral, mas que, corrigidos, podem transformar um bom produto em um excelente. Com uma base crescente de clientes satisfeitos e vocais, a Geely tem no EX2 um canal valioso de feedback para afiar as próximas versões.