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Hay-on-Wye: o refúgio dos amantes de livros no coração do País de Gales

Redação Recifes
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Hay-on-Wye: o refúgio dos amantes de livros no coração do País de Gales

Aos pés das colinas verdes do País de Gales, existe um lugar onde as ruas exalam história, as livrarias ocupam cada canto e o amor pelos livros é tão palpável quanto o ar húmido que envolve as casarões de madeira e pedra. Hay-on-Wye começou como uma discreta aldeia fronteiriça entre a Inglaterra e o País de Gales, até que um livreiro visionário transformou aquele reduto esquecido em um destino obrigatório para bibliófilos e curiosos literários de toda a Europa. O que era impossível virou rotina: uma população de menos de 2 mil habitantes hospeda alguns dos principais nomes da literatura mundial em seu festival anual.

A magia de Hay funciona por acumulação. Antigas mansões viraram pontos de encontro intelectual. Estantes espremidas em cada viela revelam tesouros raros e best-sellers inesperados. Cafés fumegam histórias de visitantes que chegam disposto a gastar dias apenas explorando as tais 39 livrarias que ponteiam a localidade. Não é turismo convencional: é peregrinação. Os peregrinos que chegam lá buscam reconexão, descoberta e aquela sensação particular de estar em um lugar onde ideias têm peso e presença física.

O Festival Literário de Hay-on-Wye, nascido em 1988, foi o farol que iluminou caminhos para eventos similares pelo planeta. Quando brasileiros olharam para montar a Flip em Paraty anos depois, estavam bebendo na mesma fonte: compreenderam que leitores anseiam por comunidade, que autores querem interagir com seus públicos de forma genuína, e que pequenas cidades carismáticas possuem vantagens que qualquer metrópole invejaria. A aldeia galesa, de certa forma, plantou sementes que floresceram em solo carioca.

Viajar para Hay-on-Wye é uma experiência peculiar que combina flanar sem pressa, descobrir primeiro ediçõess enriquecidas por dedicatórias manuscritas, conversar com proprietários de livrarias que conhecem seus acervos livro por livro, e participar de debates que exploram os limites da ficção e do pensamento. Melhor vivenciar durante o festival, quando a aldeia pulsa de energia, ou visitar fora de temporada para apreciar a tranquilidade bucólica que torna tudo tão especial. Ou ambos, porque Hay-on-Wye exige ser revisitada.

Artigo originalmente publicado em viagemeturismo.abril.com.br
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