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Higiene nasal pode virar armadilha: o erro que manda atleta para o hospital

Higiene nasal pode virar armadilha: o erro que manda atleta para o hospital

Para quem corre, respirar bem não é detalhe — é condição. Por isso, a lavagem nasal ganhou popularidade entre atletas que buscam desobstruir as vias aéreas, reduzir alergias e melhorar a captação de oxigênio durante os treinos. Mas um caso recente reacendeu um alerta importante: feita de maneira errada, a técnica pode causar complicações sérias, incluindo infecções profundas no ouvido interno.

A lavagem nasal consiste em irrigar as narinas com solução salina isotônica — ou seja, com a mesma concentração de sal do organismo humano (0,9%) — para remover muco, alérgenos e impurezas. O problema começa quando corredores impacientes aumentam a pressão do líquido, usam água sem ferver ou com concentração de sal errada, ou ainda fazem o procedimento com a cabeça posicionada incorretamente. Esses erros permitem que a solução escorra pela tuba auditiva — o canal que conecta a cavidade nasal ao ouvido médio — criando um ambiente úmido e propício à proliferação de bactérias.

A técnica correta exige atenção a três pontos fundamentais: a qualidade da água (sempre fervida e resfriada, ou destilada), a concentração do sal (de preferência sachês prontos e calibrados, disponíveis em farmácias) e a posição da cabeça (levemente inclinada para o lado, boca aberta, sem engolir o líquido). A pressão deve ser suave — o objetivo é irrigar, não «lavar à pressão». Seringas nasais ou frascos com bico direcionado são mais seguros do que a palma da mão.

Atletas que treinam em ambientes com muita poluição, terra ou pólen têm real benefício na prática regular da higiene nasal, especialmente nos dias de prova. Mas qualquer sintoma de dor de ouvido, tontura ou sensação de pressão após a lavagem deve ser levado a sério e avaliado por um otorrinolaringologista — deixar passar pode transformar um desconforto passageiro em uma infecção que tira o corredor das pistas por semanas.

A lição que fica é simples: nenhuma técnica de saúde é inofensiva quando mal executada. Antes de incorporar a lavagem nasal à rotina de treinos, vale uma consulta com um especialista para aprender o procedimento correto. Cuide da respiração com a mesma seriedade com que cuida do seu ritmo de prova — ela é, literalmente, o seu combustível.

Artigo originalmente publicado em saude.abril.com.br
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