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IA como aliada da terapia: um terço dos pacientes já usa chatbots entre as sessões

Redação Recifes
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IA como aliada da terapia: um terço dos pacientes já usa chatbots entre as sessões

Uma transformação silenciosa está acontecendo nos consultórios de psicologia ao redor do mundo: cada vez mais pacientes chegam às sessões já tendo conversado com algum chatbot de inteligência artificial antes de se sentar no divã. Segundo levantamento realizado pela Associação Americana de Psicologia (APA) com mais de 1.200 terapeutas licenciados e ativos nos Estados Unidos, ao menos um terço dos profissionais relatou que seus pacientes utilizam ferramentas de IA como uma espécie de apoio complementar entre os encontros clínicos.

O fenômeno chama atenção especialmente no contexto do envelhecimento. Idosos que vivem sozinhos ou que enfrentam dificuldades de mobilidade muitas vezes passam dias sem ter com quem conversar sobre angústias, medos ou lembranças difíceis. A disponibilidade ininterrupta de um assistente virtual pode representar uma válvula de escape importante, oferecendo escuta imediata em momentos de ansiedade noturna ou de solidão aguda — situações comuns na terceira idade.

Especialistas em saúde mental alertam, porém, que a inteligência artificial não substitui o olhar clínico treinado de um psicólogo ou psiquiatra. O que ela pode fazer, e já faz com eficácia crescente, é funcionar como um diário interativo: ajuda o paciente a organizar pensamentos, identificar padrões emocionais recorrentes e até gerar registros que facilitam o trabalho do terapeuta humano na sessão seguinte. Esse fluxo de dados pode tornar o acompanhamento mais preciso e personalizado.

Do ponto de vista da longevidade saudável, cuidar da mente é tão vital quanto monitorar pressão arterial ou glicemia. Pesquisas das últimas décadas apontam que o isolamento social e a depressão não tratada aceleram o declínio cognitivo e aumentam o risco de doenças cardiovasculares em pessoas acima dos 60 anos. Nesse cenário, qualquer ferramenta que reduza barreiras de acesso ao suporte emocional — seja geográficas, financeiras ou de mobilidade — merece atenção e avaliação séria por parte da comunidade médica.

A recomendação dos especialistas é que o uso de IA na saúde mental seja sempre transparente: o paciente deve informar ao seu terapeuta que utiliza essas ferramentas, e o profissional, por sua vez, pode ajudar a orientar esse uso de forma segura e produtiva. A tecnologia, quando bem conduzida, não concorre com o ser humano — ela amplia o alcance do cuidado e pode ser uma ponte valiosa para quem mais precisa de atenção.

Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
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