O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não perdeu tempo para externar o que muitos brasileiros já sentiam: vergonha. Depois que a seleção brasileira foi eliminada da Copa do Mundo de 2026 pela Noruega, em 5 de julho, nas oitavas de final, Lula foi à forra com declarações que misturaram indignação e ironia, numa cena que já se tornou marca registrada do petista quando o assunto é futebol.
Além da derrota em si, o que parece ter irritado ainda mais o chefe do Executivo foi o comportamento dos jogadores após o fim do torneio. Segundo Lula, a maior parte do elenco optou por não retornar ao Brasil depois da eliminação — e ele não deixou barato. 'Que vergonha, ninguém voltou para o Brasil', teria dito o presidente, sinalizando que esperava dos atletas ao menos o gesto de enfrentar a torcida e o país que representaram.
Em tom nitidamente ácido, Lula foi além das reclamações e entrou no campo das sugestões. Com seu estilo peculiar de misturar crítica e humor, o presidente defendeu que o técnico italiano Carlo Ancelotti deveria contratar um robô especialmente treinado para chutar ao gol — uma provocação direta à incapacidade do time de converter chances em gols ao longo da competição. A ironia, claro, escancarou a frustração com um esquadrão repleto de estrelas que, mais uma vez, não entregou dentro de campo.
A eliminação para a Noruega expõe um problema estrutural que vai muito além de uma derrota pontual. O Brasil segue há décadas sem conquistar um título mundial, e cada Copa traz um novo capítulo de promessas não cumpridas. A seleção de 2026 não fugiu ao roteiro: jogou abaixo do esperado nos momentos decisivos e foi surpreendida por uma equipe europeia que soube explorar as fragilidades defensivas e a falta de objetividade no ataque brasileiro.
As palavras de Lula, por mais ácidas que sejam, ecoam o sentimento popular. O futebol brasileiro carece de reformas que vão da base até a gestão da CBF, e nenhum técnico estrangeiro de renome resolve sozinho uma crise que é sistêmica. Enquanto o debate sobre o futuro da seleção continua, o presidente já deu o seu veredicto — e desta vez, boa parte do país concordou com ele.