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Michelle vai às redes e expõe racha com Flávio Bolsonaro: 'Fui humilhada'

Michelle vai às redes e expõe racha com Flávio Bolsonaro: 'Fui humilhada'

O que parecia ser apenas um ruído interno virou barulho público na tarde desta quarta-feira (24). Michelle Bolsonaro gravou e postou dois vídeos nas suas redes sociais em que relata, com riqueza de detalhes, uma briga com Flávio Bolsonaro — filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e candidato oficial do PL à Presidência da República nas eleições de outubro. Nas gravações, ela afirma ter sido humilhada e mal tratada pelo enteado e revela que os dois não trocam uma palavra desde o final do ano passado.

O timing não poderia ser mais delicado. Flávio foi ungido pelo próprio pai como o nome do clã para disputar o Palácio do Planalto, numa espécie de operação de continuidade política da família. Mas a escolha, ao que tudo indica, não foi recebida com unanimidade. Michelle deixou claro no vídeo que tentou oferecer seu apoio ao enteado e que a resposta que recebeu foi fria o suficiente para ela concluir que aquela ajuda simplesmente não era bem-vinda.

O episódio joga luz sobre as tensões que fervilham nos bastidores do bolsonarismo. A ex-primeira-dama tem capital político próprio, cultivado ao longo dos quatro anos de governo e reforçado pela mobilização evangélica que a cerca. Ser deixada de lado num projeto eleitoral da família não é apenas uma questão afetiva — é uma equação política que pode ter consequências reais para a campanha de Flávio, especialmente junto ao eleitorado feminino e religioso que Michelle ajudou a consolidar.

Por enquanto, o senador Flávio Bolsonaro não se pronunciou publicamente sobre as declarações da madrasta. O silêncio, neste caso, fala tanto quanto qualquer nota. A direita brasileira, acostumada a apresentar a família Bolsonaro como símbolo de união e valores, se vê agora diante de uma crise interna que veio à tona da pior forma possível: ao vivo, nas redes, pela voz de um de seus próprios membros.

O racha, seja definitivo ou passageiro, chega em momento estratégico para a oposição e levanta uma questão inevitável: conseguirá Flávio Bolsonaro construir uma candidatura presidencial competitiva sem o endosso entusiasmado de quem, por quatro anos, foi o rosto mais popular da família?

Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
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