O mundo árabe e os mercados financeiros globais lamentam a morte de Sheikh Hamad bin Khalifa Al-Thani, ex-emir do Qatar, falecido aos 74 anos. Líder do pequeno país do Golfo Pérsico entre 1995 e 2013, ele é amplamente reconhecido como o arquiteto da extraordinária ascensão econômica catariana, que converteu uma nação de recursos limitados em uma das mais ricas do planeta por renda per capita.
Sob seu governo, o Qatar deixou de ser apenas um exportador de petróleo para se consolidar como o maior produtor mundial de gás natural liquefeito (GNL). A expansão das exportações energéticas encheu os cofres do Estado e financiou um projeto ambicioso de diversificação econômica, que incluiu investimentos massivos em infraestrutura, educação e, sobretudo, na criação do Qatar Investment Authority (QIA) — fundo soberano que hoje administra ativos estimados em mais de 500 bilhões de dólares espalhados por dezenas de países.
O legado financeiro de Hamad vai muito além das fronteiras do Golfo. O QIA, fundado em 2005 durante seu mandato, detém participações em empresas icônicas como o Volkswagen Group, o banco Barclays, a rede de supermercados Sainsbury's e imóveis de prestígio em cidades como Londres, Nova York e Paris. A estratégia de internacionalização dos recursos catarianos foi pioneira entre os países produtores de petróleo e tornou-se modelo para outras nações do Oriente Médio.
Em 2013, Hamad surpreendeu o mundo ao abdicar voluntariamente em favor de seu filho, Tamim bin Hamad Al-Thani, em uma transição de poder incomum na região. Desde então, o Qatar continuou sua trajetória de projeção internacional, com destaque para a Copa do Mundo de 2022, evento que simbolizou o patamar diplomático e econômico alcançado pelo país. Tamim deu continuidade à política de diversificação e ampliou o interesse catariano em novas classes de ativos, incluindo tecnologia e infraestrutura digital.
A morte do ex-emir marca o fim de uma era para o Qatar e para a geopolítica do Oriente Médio. Analistas de mercado observam que sua visão estratégica — combinar riqueza em recursos naturais com investimentos globais de longo prazo — permanece como referência para economias emergentes que buscam garantir sua prosperidade além do ciclo das commodities. O impacto de seu legado continuará moldando os fluxos de capital internacionais por décadas.