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Relatório de Santa Marta aponta rota global para o fim dos combustíveis fósseis

Relatório de Santa Marta aponta rota global para o fim dos combustíveis fósseis

Um documento que pode mudar os rumos da mobilidade global foi apresentado conjuntamente pela Colômbia e pelos Países Baixos: o relatório final produzido a partir das discussões de Santa Marta, cidade costeira colombiana que sediou encontros de alto nível sobre transição energética. O texto traça um caminho detalhado para que países, cidades e setores econômicos reduzam de forma estruturada sua dependência do petróleo, do gás natural e do carvão mineral.

Para o setor de transportes — responsável por cerca de um quarto das emissões globais de gases de efeito estufa —, as recomendações do relatório têm peso especial. O documento defende a aceleração da eletrificação das frotas urbanas, o fortalecimento do transporte público de baixo carbono e o investimento em infraestrutura ativa, como ciclovias e corredores para pedestres. A lógica é clara: não há transição energética real sem repensar como as pessoas se movem nas cidades.

A parceria entre Colômbia e Países Baixos chama atenção por reunir realidades distintas. De um lado, um país em desenvolvimento com grande dependência econômica da exportação de combustíveis fósseis; do outro, uma nação europeia que já consolidou uma das matrizes de mobilidade mais limpas do mundo, com altíssimas taxas de uso de bicicleta e transporte coletivo eficiente. Essa combinação confere ao relatório uma dimensão diplomática relevante: a transição precisa ser justa e viável para todos os países, não apenas para os mais ricos.

Entre as medidas concretas apontadas, destacam-se o estabelecimento de metas nacionais vinculantes para redução do uso de combustíveis fósseis no transporte, a criação de mecanismos de financiamento para que cidades de países em desenvolvimento adotem ônibus elétricos e expandam suas redes de trilhos, além de incentivos para que fabricantes automotivos acelerem a descontinuação de motores a combustão. O relatório também recomenda que governos eliminem gradualmente subsídios que ainda tornam o diesel e a gasolina artificialmente baratos.

O documento chega em momento estratégico, às vésperas de novos ciclos de negociações climáticas internacionais. Para especialistas em mobilidade urbana, ele representa um sinal importante de que a agenda do transporte limpo deixou de ser pauta secundária e passou a ocupar o centro do debate sobre o futuro energético do planeta. Agora, o desafio é transformar recomendações em políticas públicas concretas — e garantir que as cidades, especialmente as do Sul Global, tenham recursos e autonomia para liderar essa mudança.

Artigo originalmente publicado em ciclovivo.com.br
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