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Do item básico ao desejo fashion: o chinelo virou símbolo de status

Do item básico ao desejo fashion: o chinelo virou símbolo de status

O chinelo deixou há muito tempo de ser apenas o calçado da praia, da pressa ou do conforto doméstico. Em temporada de grandes eventos musicais e aparições calculadas, ele passou a ocupar um lugar inesperado no guarda-roupa das celebridades e no imaginário fashion. O resultado é uma reviravolta curiosa: aquilo que já foi lido como informal demais agora funciona como sinal de estilo.

Esse deslocamento ficou evidente quando Addison Rae, durante sua passagem pelo Lollapalooza em São Paulo, citou os chinelos feitos no Brasil como um dos motivos de sua simpatia pelo país. Não foi um gesto isolado. Pouco antes, Bad Bunny apareceu usando Havaianas para cantar no estádio do Palmeiras, reforçando a presença do modelo em uma vitrine que mistura música, comportamento e moda.

O interesse das estrelas ajuda a explicar como um produto simples se transforma em objeto de desejo. Parte do apelo está na combinação entre conforto e identidade visual, mas há também um componente simbólico: vestir um chinelo famoso hoje comunica um certo desapego estudado, uma estética que se vende como espontânea, embora seja cuidadosamente observada por fãs e marcas.

No Brasil, a Havaianas já fazia parte do repertório cotidiano havia décadas. A novidade é que o calçado, antes lido como algo menor dentro da moda, ganhou circulação internacional como peça cool, atravessando palcos, aeroportos, redes sociais e tapetes informais. Na prática, o chinelo virou mais do que um item de verão: tornou-se um marcador cultural capaz de unir consumo, celebridade e imagem pública.

Artigo originalmente publicado em redir.folha.com.br
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