Medir a recuperação de um transtorno alimentar apenas pelo peso ou pelo índice de massa corporal (IMC) é uma forma limitada de enxergar o problema. É essa a principal conclusão de uma revisão conduzida por pesquisadores da Universidade de Queensland, que reuniu evidências de 60 estudos publicados em 16 países.
O trabalho analisou pesquisas feitas entre 1990 e 2025, em cinco bases de dados, para entender como a nutrição vem sendo considerada no tratamento de pessoas em recuperação. Os autores identificaram que, embora o IMC continue sendo usado com frequência, ele não dá conta de mostrar se o corpo voltou a funcionar bem nem se os hábitos alimentares e a relação com a comida realmente melhoraram.
Na prática clínica, isso significa que a recuperação precisa ser observada por mais de um ângulo. Marcadores nutricionais, qualidade da alimentação, comportamento alimentar, exames e sinais de saúde geral podem oferecer uma visão mais fiel do progresso do paciente do que uma leitura isolada da balança.
Ao reforçar esse ponto, os pesquisadores defendem que profissionais de saúde adotem avaliações mais amplas e personalizadas. A mensagem é clara: no tratamento de transtornos alimentares, recuperar o peso é apenas uma parte do caminho. Recuperar a nutrição, a estabilidade metabólica e a relação com a comida é o que realmente sustenta a melhora.